

FRANCISCO BOTELHO, LENTE DA
UNIVERSIDADE DE ÉVORA:
Francisco Botelho é, sem dúvidas, um dos filhos mais ilustres de Figueiró da
Serra, onde nasceu e foi baptizado a 16-12-1648, sendo filho de Francisco
Lourenço de Paiva e de Maria Botelho. Em 1667, entrou na Companhia de Jesus,
em Coimbra. Na Universidade de Évora, estudou Reitoria (1669-1670),
Filosofia (1670-1674) e Teologia (1680-1684). Ali ensinou Gramática,
Humanidades e Retórica (1674-1680). Veio a Lisboa fazer a 3ª provação
(1684-1685). Em 1685 foi ao Porto fazer a profissão solene, exercendo ali
durante um ano, (1685-1686) o múnus de pregador. Navegou para o Brasil em
1692. No Colégio da Baía, confiaram-lhe a primeira cátedra de Teologia
Especulativa. A par das aulas, o padre Francisco Botelho pregava,
confessava, ensinava a doutrina nas praças,"acudindo a uma e outra parte,
onde achava ser mais necessário o pasto espiritual para as almas, com tanto
cansaço que suava duas e três camisas, como informa o livro dos " Óbitos".
Voltando a Portugal em 1698, o Geral, como prémio daquela espantosa
actividade, mandou-o ler Teologia onde mais gostasse. Optou pela cadeira de
Controvérsias no Seminário Irlandês. No mês de Agosto de 1701, foi para o
Colégio de Santo Antão, e continuou a leccionar até receber a patente de
Reitor do mesmo Colégio, que lhe foi lida a 20 de Março de 1705. Começava já
então a andar mal de saúde. Em Janeiro de 1706, tendo morrido o Padre
Francisco da Cruz, confessor e mestre do príncipe herdeiro D. João e dos
Infantes, D, Pedro II escolheu para o substituir, o Padre Francisco Botelho.
Em Março de 1707, deixou o reitorado do Colégio de Santo Antão e
transferiu-se para a Casa Professa. Faleceu em Coimbra por volta de Junho de
1707.

José Maria Mendes
José Maria Mendes nasceu em Figueiró a 4 de Maio de 1936.
Terminada a instrução primária, no ano
de 1948, graças à interferência do Prof. Porfírio do Nascimento,
colocado em Figueiró 4 anos antes, cuja acção
foi de uma valia extraordinária para muita gente da sua geração,
ingressou no Seminário do Fundão.
O acesso ao liceu, por parte dos filhos da generalidade das famílias
rurais daquele tempo, era completamente impensável.
Concluídos os estudos preparatórios no Seminário do Fundão, transitou
para o Seminário Maior da Guarda.
No final do 2º. Ano do curso de filosofia, estava-se em Junho de 1956,
contrariando a vontade de todos, vice-reitor, professores, pároco da
aldeia e a generalidade dos conterrâneos de então, deixou o seminário
perfeitamente consciente do que fazia. Apesar disso, sempre manifestou a
maior gratidão pela formação ali recebida.
Após um período problemático, ingressou, em Outubro de 1956, nos
quadros da Empreza de Cimentos de Leiria, mãe de um poderoso grupo
económico de que se destacavam a Companhia Cimento Tejo, a Companhia de
Carvões e Cimentos do Cabo Mondego, a Companhia de Cimentos de Angola, a
Companhia de Cimentos de Moçambique, a Siderurgia Nacional, que dava os
primeiros passos e, mais tarde engrossado pelo Banco Pinto & Sotto Mayor,
empresas seguradoras e outras.
A sua entrada na empresa coincidiu com o agravamento das relações entre
António Champalimaud e seu irmão Carlos.
1960 marcou a introdução dos concursos na empresa. Por força da
excelente preparação recebida no seminário fui progredindo naturalmente
e ganhando a confiança do Conselho de Administração e dos quadros
dirigentes. Em 1966, encontrava-se no Serviço de Contencioso, o mais
apetecido da empresa, como sub-chefe de secção.
Ai surgem os primeiros contactos com António Champalimaud.
Entretanto, a situação decorrente do processo judicial, que ficou
conhecido como o “Processo da Herança Sommer”, agrava-se e obriga
António Champalimaud, a abandonar o país, em Fevereiro de 1969, e a
fixar residência no México.
Surpreendentemente, no final de Abril desse ano, António Champalimaud,
escolhe-o como seu secretário. Em 9 de Maio, parte para o México onde
inicia um período de 4 anos de uma vida intensa, de uma experiência
difícil mas extremamente enriquecedora. António Champalimaud era já
considerado o maior industrial português, um homem possuidor de uma das
maiores fortunas da Europa.
Em Maio de 1970 chegam a Nice, e, em Agosto seguinte, fixam residência
em Paris, onde permanecemos até Janeiro de 1971, mês em que se
regressam, de novo, ao México.
O “exílio” teve o seu fim em Março de 1973.
A revolução de Abril veio interromper a colaboração. Por motivos
familiares optou por não o acompanhar na sua ida para o Brasil.
Pouco tempo depois termina o curso de solicitador e foi nomeado
solicitador da Comarca de Lisboa, profissão que deixara em suspenso
aquando da partida para o México.
Continuou a sua actividade na Cimpor, empresa resultante da
nacionalização das empresas cimenteiras portuguesas, onde exerceu
funções como quadro superior, nos Serviços Jurídicos, até Setembro de
1996, data da sua reforma. Prosseguiu o exercício da actividade de
solicitador que se mostrou altamente gratificante. De salientar a
autoria de duas obras sobre sociedades comerciais, editadas pela
Livraria Almedina, de Coimbra.
De referir, ainda, que foi, durante cerca de 9 anos, vogal da Comissão
de Fiscalização da EPNC, Empresa Pública dos Jornais “Notícias” e
”Capital”, por nomeação do governo de Mota Pinto.
Em 2006 decidiu transferir toda a responsabilidade do Escritório para o
filho advogado para me dedicar ao estudo da História.
Saliente-se que, como membro da Comissão de Trabalhadores, Delegado
Sindical e Presidente do Grupo Desportivo da Cimpor, foi um activista
após o 25 de Abril, com enorme influência na vida da Empresa. A sua
acção, em conjunto com a de outros colegas da mesma linha de pensamento,
muito contribuiu para que esta empresa não tivesse passado por
sobressaltos naquele conturbado período pós 11 de Março.
Bairrista desde muito cedo, fundou a Comissão de
Melhoramentos de Figueiró logo a seguir ao 25 de Abril, cuja obra
principal foi a recuperação do chafariz do Cimo do Lugar. Colaborou com
a Junta do tempo na reformulação da rede de esgotos e na aquisição de
novas nascentes de água para o abastecimento público. Foi de sua
iniciativa a primeira iluminação da festa de Stª. Eufêmia.
Colaborou com a Junta de Freguesia na instalação do
Centro de Dia. A sua última iniciativa foi consubstanciada na construção
do núcleo museológico, obra cultural que muito honra Figueiró.
Desde 1964 que, com a preocupação de marcar o lugar de
Figueiró, se tornou colaborador do Notícias de Gouveia, tendo sempre em
mente a preocupação de dignificar a aldeia onde nasceu.
Não obstante a sua idade, 73 anos, acabou de concluir,
na Universidade Lusófona, de Lisboa, onde foi um aluno de referência, a
Licenciatura em História, com a classificação de 17,5 e ainda uma
licenciatura minor em Ciência das Religiões, com a mesma classificação.
Vai integrar um grupo de investigadores da
Universidade Lusófona, onde concluiu o Curso, e colaborar num
Departamento de Investigação sedeado na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa.
De assinalar, também, que foi convidado para fazer parte da
ACLUS-Associação da Cultura Lusófona, também com sede na Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa, e da ACSEL-Associação dos Cientistas
Sociais do Espaço Lusófono, com sede na Universidade Lusófona, das
quais é já sócio e com as quais vai colaborar.
TONITINHO 1918/2006
António Gonçalves Viegas, simplesmente conhecido por "Tonitinho", nasceu
na década de 20, com uma grave deficiência: o seu crescimento mental não
acompanhou o crescimento físico. Não frequentou a escola, pelo que não
sabia ler nem escrever, sendo, no entanto dotado de uma memória
excepcional. Numa luta pela sobrevivência, tornou-se no homem dos sete
ofícios. Ajudando as pessoas no que fosse possível, em troca de
alimentos, roupa, ou alguns tostões. Entre vários dos ofícios do
Tonitinho, destaca-se a tarefa de ligar e desligar a luz na cabine
eléctrica, que se situava no alto do Casal. Tonitinho faleceu, longe da
aldeia do coração, num lar perto da Guarda. Será lembrado com carinho e
com muita saudade.


